Quando o resultado está comprometido

Saiba quais as situações que podem influenciar o resultado dos exames laboratoriais

Ficar em jejum é uma premissa conhecida pela maioria das pessoas para a realização de alguns exames de sangue. Porém, as restrições vão muito além disso. Sim, há uma lista extensa de fatores que interferem no resultado das análises realizadas em laboratório. Para se ter uma ideia, até a posição do braço durante a coleta de material está entre as variáveis.

Tendo como base que um dos principais objetivos dos testes é auxiliar no raciocínio médico após o exame clínico, as condições que devem ser levadas em conta incluem variação cronobiológica*, gênero, idade, posição, atividade física, dieta e uso ou não de medicamentos.

Num enfoque mais abrangente, outras circunstâncias precisam ser pontuadas, como adoção de métodos terapêuticos, transfusão de sangue, infusão de soluções e cirurgias. Tais situações influenciam tanto no momento da análise quanto na interpretação dos resultados.

Problemas na fase pré-analítica, segundo estimativas, respondem por aproximadamente 70% das ocorrências de equívocos em resultados. Ainda que seja limitado o controle do laboratório sobre essas variáveis, orientações adequadas por parte do médico que solicitou o exame e também pelos profissionais do laboratório são uma forma eficaz de contornar muitas inadequações.

Ainda que manter um estilo de vida saudável diminua de forma significativa muitos dos efeitos do envelhecimento, à medida que os anos passam, os órgãos deixam de trabalhar como deveriam, explica o doutor Silvio Bonelli, bioquímico e especialista pela Sociedade Brasileira de Análises Clínicas (SBAC). “Os rins, por exemplo, perdem parte da capacidade de eliminar toxinas, o que faz essas substâncias aparecerem em níveis mais elevados na maioria dos exames. Por isso testes complementares são necessários, tanto nessa situação quanto em outras, ao se definir um diagnóstico de pacientes mais velhos”.

Bonelli explica que o gênero também traz diferenciações. “Os limites considerados ideais para inúmeras avaliações variam entre homens e mulheres. Elas não têm as mesmas taxas de testosterona que pessoas do sexo masculino. Em investigações sobre massa muscular, algumas substâncias são menores para as mulheres.”

Os fatores de variação não são poucos. A coleta de sangue feita com a pessoa em pé pode levar a taxas de colesterol e cálcio mais carregadas. “Isso porque, nessa postura, é necessário acelerar o ritmo dos batimentos cardíacos. Mecanismos hormonais interferem nas concentrações de diversas moléculas e, assim, fazem o coração bater mais forte. Quando alguém deitado se levanta de repente, os níveis de água e outros elementos do líquido vermelho ficam um pouco desordenados. Em ambos, os exames perdem a confiabilidade. É por isso que recomendamos que o paciente permaneça de 10 a 15 minutos em repouso antes da agulhada”, esclareceu.

O bioquímico defende que a alimentação não interfere em grande parte das avaliações. Recentemente, a Agência Nacional de Saúde (ANS) determinou a não necessidade de se fazer exames em jejum. “A maioria dos exames de laboratório pode ser realizada sem a necessidade da suspensão de dieta alimentar. Exceto a pedido médico exames especiais a partir de 03 horas de jejuns”, apontou Bonelli.

Segundo ele, os equipamentos do laboratório Landsteiner realizam até 1.200 testes por hora. Também há uma linha direta com os médicos para esclarecimentos sobre os novos valores de lipídios e/ou outras informações em tempo real.

 

Ingestão de substâncias

A ingestão de café e bebida alcoólica precisa ser interrompida antes da avaliação sanguínea; o tempo de pausa indicado é de 72 horas. “Ao ser agredido pelo álcool, o fígado responde liberando doses extras de triglicérides. A glicemia também é afetada, uma vez que as bebidas alcoólicas contêm açúcar. A cafeína, ingerida em excesso, pode reduzir momentaneamente a quantidade de glicose nas artérias. O recomendado é tomar no máximo uma xícara antes de ir ao laboratório”, detalha o profissional.

Já os testes de coagulação, que prognosticam risco de trombose e acidente vascular cerebral, são afetados pela ingestão de aspirina e outras drogas que afinam o sangue. Portanto, quem toma um desses medicamentos e tem de fazer o exame deve perguntar ao médico como proceder.

Em relação ao tabagismo, o indicado é parar de fumar com pelo menos três horas de antecedência da coleta do material. Isso porque as substâncias tóxicas do cigarro causam inflamações que, por sua vez, alteram as taxas de colesterol circulante e outras partículas.

 

De olho no calendário

O horário de coleta do sangue faz toda a diferença se o intuito é dosar o cortisol a fim de se verificar possíveis disfunções nas glândulas suprarrenais.
E a explicação é simples. Esse hormônio é fabricado ao raiar do dia para nos despertar. Por isso, “à tarde fica difícil saber se uma aferição baixa é sinal de problema ou só consequência do horário. As taxas de colesterol também variam ao longo do dia”.

Resultados reais sobre os níveis de aldosterona demandam atenção à escolha da data de realização do exame, principalmente por parte das mulheres,
haja vista que a presença desse hormônio na fase pré-ovulatória do ciclo menstrual é 100% maior que nos demais dias. E mensurar o excesso da aldosterona ajuda no diagnóstico da hipertensão.

A concentração dos hormônios estradiol e progesterona, que entre outras funções servem como marcadores de fertilidade, também se modifica de forma significativa durante o mês. “No primeiro dia de menstruação, há um aumento de estradiol, que atinge sua maior dosagem, aproximadamente, em duas semanas. E acreditem, até mesmo a estação do ano pode interferir em resultados. Os níveis de colesterol, por exemplo, ficam mais altos no inverno que no verão.
Também é possível que a dosagem de triglicérides suba em até 2,5%. A causa desse aumento pode estar relacionada às mudanças alimentares.
Isso porque, na época mais fria do ano, aumenta o consumo de comidas gordurosas. Por outro lado, no verão os níveis de vitamina D são mais altos, devido à maior incidência de raios solares e à prática de atividades ao ar livre.”

Até mesmo os exercícios físicos são capazes de alterar a concentração de diversas moléculas no sangue. Entre elas, as do ácido úrico, que é um sinalizador de gota e insuficiência renal; e do ferro, cujo déficit acusa a anemia.

No entanto, a prática de esportes antes da coleta de sangue pode diminuir a quantidade de glicose no sangue. E essa diminuição momentânea é capaz de gerar um falso resultado em exames realizados para verificar a ocorrência ou evolução de diabete. O ideal é mesmo não praticar atividade física antes da visita ao laboratório”, finalizou o bioquímico.

 

*Variação cronobiológica: Essa condição envolve as alterações cíclicas na concentração de determinados parâmetros em função do tempo, podendo ser diária, mensal, sazonal, anual, etc. A circadiana, por exemplo, ocorre nos níveis séricos de ferro e de cortisol. As coletas realizadas à tarde fornecem resultados mais baixos do que os obtidos nas amostras coletadas pela manhã.

 

As etapas da análise laboratorial

A realização de exames divide-se em:

Fase pré-analítica: começa na coleta de material, seja ela feita pelo paciente (urina, fezes e escarro) ou no ambiente laboratorial.

Fase analítica: corresponde à etapa de execução do teste propriamente dita.

Fase pós-analítica: inicia-se no laboratório clínico e envolve os processos de validação e liberação de laudos, encerrando-se após o médico receber o resultado final, interpretá-lo e tomar sua decisão.

O controle do laboratório sobre os erros em cada uma dessas fases é variável, porém todos têm impacto na conduta adotada pelo médico assistente.

Fonte: Silvio Bonelli (Landsteiner)

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