Funcionário feliz produz mais

Etienne de Castro Tottola, especialista em recursos humanos, pedagoga alerta para a importância das empresas adotarem políticas de qualidade de vida

Profissional de carreira em empresas como Arcelor Mittal Tubarão, Senai e Senac, especialista em Recursos Humanos, Pedagogia Empresarial e Gestão de Qualidade, e coach com certificação internacional, a pedagoga e CEO da Agha RH, Etienne de Castro Tottola, garante que “a felicidade leva à motivação, a motivação leva ao comprometimento, e o comprometimento leva aos resultados positivos”.

É possível falar em um conceito de “felicidade”?

Podemos considerar que felicidade é uma sensação de bem-estar, formada por diversas emoções e sentimentos,que podem ter sua origem em algum motivo específico ou desejo atendido.Prefiro concordar com Nietzche,que diz que “felicidade é uma viagem,não um destino”. As vitórias do cotidiano,a realização de sonhos e metas e o sentir-se bem consigo mesmo e com os outros seriam a tal felicidade.

Medir a Felicidade Interna Bruta(FIB) é tão importante quanto medir o Produto Interno Bruto(PIB)?

Não acredito em medidas quantitativas para emoções e sentimentos, mas a FIB é complementar a outras medidas de riqueza, além do desempenho econômico. Tem como pilares o desenvolvimento educacional, a promoção dos valores culturais, a boa governança, a vitalidade comunitária,saúde, o desenvolvimento sustentável,a potencialização do padrão de vida,a diminuição da jornada de trabalho,e o tempo para lazer. É preciso considerar esse ser humano integral, que tem necessidades e que deve estar feliz para ser mais produtivo.

Qual a relação entre felicidade e produtividade?

Uma relação direta e mensurável pelos resultados da organização.Funcionário feliz, de bem com a vida,com as pessoas, torna-se mais motivado a trazer resultados.

Quais os “fatores geradores de felicidade” nas empresas?

Muitas pesquisas foram realizadas,e o respeito, a valorização e o reconhecimento aparecem como os principais itens para se gerar a felicidade.

Além dos benefícios financeiros,quais os ganhos com a “felicidade” dos funcionários?

Com certeza a minimização de acidentes, conflitos, desperdícios de toda espécie. Cada um passa a cuidar do ambiente de trabalho e das outras pessoas. Esse círculo positivo gera, cada vez mais, melhores resultados.Funcionários felizes também são mais criativos, muitas
vezes encontram alternativas até no caos.

A felicidade no trabalho depende das ações motivacionais ou do próprio funcionário?

Depende de todos, mas começa pela cultura da empresa. A FIB surge sob a premissa de que o equilíbrio entre os fatores materiais, psicológicos,culturais e espirituais dão o tom da harmonia. Não adiantam ações motivacionais se a empresa não possui uma cultura onde a valorização do ser humano não é respeitada, se não existe condições de trabalho aceitáveis e uma gestão onde as pessoas são consideradas como parte do processo e não apenas mão de obra executora de definições e determinações superiores.

Qual o papel do líder na criação de um ambiente feliz e motivado?

O gestor é responsável por alimentar esse processo e recebe de volta o resultado de sua atuação. Precisa ser justo, respeitoso e cuidar das pessoas. É muito diferente de chefiar, e as pessoas só se comprometem com aquilo que acreditam. É preciso saber ouvir, delegar, acompanhar e cobrar,em um contexto em que as pessoas se aceitem nas diferenças, ampliemos relacionamentos e se empenhem com o seu melhor. O bom gestor será cada vez mais coaching, couseling ou mentoring (treinador, conselheiro,mentor), potencializando talentos e criando oportunidades a todos.

Empresas brasileiras já acordaram para essa necessidade?

Estão começando a acordar. Descobrindo que a motivação traz resultados financeiros e que a felicidade no trabalho pode trazer ainda mais. Essa discussão ainda é muito incipiente,mas quando alguma ação é adotada proporciona resultados que atentam para novas ações que trazem cada vez mais resultados.

Como promover essa ideia entre o setor produtivo nacional?

O conceito de felicidade no trabalho encaixa-se perfeitamente no conceito de qualidade de vida no trabalho (QVT). Muitas empresas já têm programas que estimulam esse desenvolvimento nos aspectos de saúde, lazer, cultura ou habilidades. Proporcionam acompanhamentos periódicos, e isso faz o empregado se sentir cuidado.
Há programas ampliados para a família, que resultam, em alguns casos, até na diminuição da rotatividade e da retenção de talentos. Por meio de debates, fóruns específicos na área de Recursos Humanos, Meio Ambiente e Responsabilidade Social, poderíamos criar um grande movimento para difundir esses conceitos na cultura das empresas.

Caberia uma política pública para promover essa ideia no setor produtivo?

As políticas públicas precisam ser ampliadas e aprofundadas. Não acredito em discussão sobre felicidade, quando nem as necessidades básicas são atendidas. À medida que culturalmente as organizações forem se modificando, modificarão a sociedade.
Pesquisa do LinkedIn realizada em 14 países, inclusive no Brasil, aponta que manter amizades no trabalho é peça-chave para a felicidade profissional.

Isso indicaria a superação do ditado “amigos, amigos, negócios à parte”?

A maior parte do tempo, passamos no trabalho. As pessoas acabam compartilhando sonhos,dificuldades,realizações. Penso que continuamos com “amigos, amigos, negócios à parte”, quanto às responsabilidades pessoais e grupais. Recebemos um salário, temos metas,precisamos apresentar resultados e somos avaliados por isso. O desafio está em aprender a preservar os amigos e ser profissional ao mesmo tempo. Regras claras, desde o início, facilitam o entendimento e o amadurecimento das relações.

O que indicaria como tendência nas relações de trabalho?

As empresas deverão adotar políticas de qualidade de vida, gerando indicadores formais de felicidade.O RH será cada vez mais estratégico,e a definição de propósitos compartilhados trará uma gestão compartilhada com foco em resultados capazes de serem mensurados e validados.

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