Entrevista com Dra. Aline Cabral

Elas estão no mercado há mais de uma década, mas demorou até que conseguissem conquistar a confiança de médicos e de pacientes. Agora, viraram febre. São as conhecidas pílulas de nutricosméticos, que se consagram como o mais novo fenômeno da beleza para atenuar rugas, melhorar o viço da pele e fortalecer unhas e cabelos. Nesta entrevista, a médica dermatologista Aline Cabral, de Vitória (ES), explica que esses suplementos devem ser encarados como reforço nos cuidados diários, e não apenas como única forma de intervenção.

 

O que são os nutricosméticos e quais os benefícios que podem trazer no tratamento da pele?

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) ainda não reconhece o termo nutricosmético e, por outro lado, só denomina de cosmético o produto cujo uso é tópico. Sendo assim, as cápsulas da beleza
são classificadas pela agência como nutracêuticos, ou suplementos alimentares, cuja função principal é nutrir o corpo com ativos e concentrados de vitaminas, que visam a tratar ou melhorar a pele, unhas e cabelos de “dentro para fora”. Eles são comercializados na forma de cápsulas gelatinosas, misturadas em sucos e sopas ou até chocolates, compostos por substâncias bioativas naturais concentradas, geralmente presentes nos alimentos. Na dermatologia, são utilizados na prevenção do envelhecimento e no tratamento de algumas enfermidades, até mesmo naquelas que afetam a pele, como acne, rosácea, melasma e  dermatites crônicas.

 

Quais os principais remédios e suas funções. É a composição desses suplementos?

No mercado brasileiro, já encontramos uma variedade de nutracêuticos sendo comercializados em forma de vitaminas, oligonutrientes e antioxidantes.
A vitamina A reduz a produção de oleosidade na pele, ajudando a prevenir cravos e espinhas, e desacelera o envelhecimento. As vitaminas do complexo B têm função hidratante, anti-inflamatória ou de controle da oleosidade, auxiliando em tratamentos de acne e de dermatites. Os suplementos com vitaminas C
participam da formação da proteína colágeno, diminuindo o ressecamento e combatendo os efeitos dos raios ultravioleta na pele.  As vitamina D e E ajudam na renovação celular e no retardamento do envelhecimento da pele por atuar como antioxidante, deixando-a mais lisa e firme, além de clarear as manchas. Ainda tem os ômegas 3 e 6, que são conhecidos como ácidos graxos essenciais.
Eles mantêm a pele hidratada e ajudam no controle da acne, e contêm ferro, cuja deficiência no organismo pode provocar anemia e, consequentemente, ressecamento da pele e enfraquecimento dos cabelos e unhas.

 

Essas pílulas da beleza podem ser consideradas milagrosas contra as rugas e o envelhecimento? E os seus resultados? São a curto ou longo prazo?

Os nutracêuticos devem ser encarados como reforço nos cuidados diários, e não como única forma de intervenção. Sozinhos, esses produtos não fazem milagres, e seus resultados geralmente são notados após dois meses de uso, podendo ser prolongados de acordo com o que o médico determinar. Mas é importante ter a consciência de que não adianta investir em pílulas para rejuvenescer a pele e se expor ao sol sem filtro solar, ou ingerir cápsulas para a celulite e continuar consumindo alimentos gordurosos.

 

Quais são os efeitos colaterais de seu uso em excesso? E a partir de que idade pode ser recomendado?

A ocorrência de efeitos colaterais é reduzida, e não existem estudos aprofundados de toxicidade, principalmente na ingestão a longo prazo. Apesar de serem vendidos livremente, esses suplementos devem ser usados conforme recomendação médica. A dose de cápsulas varia de acordo com o que está especificado na bula, geralmente uma ou duas ao dia. Não existe uma idade ideal para recomendar a suplementação, desde que haja indicação. Elas podem ser usadas inclusive na fase infantil.

 

Esses remédios necessitam de prescrição médica ou podem ser comprados sem consulta médica?

Podem ser comprados sem prescrição médica, já que pela legislação esses suplementos são considerados “alimentos”, porém devem ser utilizados sob supervisão de um especialista capacitado, assim como qualquer medicamento, pelo potencial de efeitos colaterais, toxidade e interação medicamentosa. Algumas pessoas, como gestantes, mulheres que estão amamentando, crianças e principalmente pacientes com alterações renais e hepáticas, devem ser acompanhadas pelo médico.

 

Alguns médicos discordam do uso de colágeno puro no organismo, porque, segundo eles, essa proteína não vai necessariamente para a pele, não “operando milagres” sozinha. É preciso aliar a isso uma boa alimentação?

Estudos indicam que a suplementação de colágeno pode melhorar significativamente a elasticidade e a hidratação da pele e até mesmo reduzir rugas e celulite. Entretanto, a suplementação isolada não substitui um estilo de vida saudável. Melhores resultados são obtidos com a combinação de procedimentos dermatológicos e suplementação dietética, aliada à mudança do estilo de vida como uma dieta balanceada, atividade física, não fumar, reduzir o estresse, etc. Ou seja, o sucesso do resultado é um conjunto.

 

Independentemente dos nutricosméticos, quais as suas recomendações básicas no dia a dia para uma pele saudável e nutrida?

A minha primeira recomendação é a fotoproteção.
A escolha do protetor solar deve ser individualizada, pois existem vários tipos de pele, com necessidades diferentes. Porém, como regra geral, ele deve ter FPS de no mínimo 30 e ser aplicado generosamente a cada duas ou três horas. Além do protetor, outras medidas de fotoproteção devem ser adotadas, como evitar exposição solar no período de 10h-16h, abrigar-se à sombra, usar chapéus e óculos, roupas de manga, etc. Outra medida é beber no mínimo dois litros de água por dia, para manutenção do bom funcionamento dos órgãos. Também é necessário consumir alimentos ricos em antioxidantes, tais como frutas cítricas e folhas verdes. É imprescindível reduzir a ingestão de açúcar, que favorece o envelhecimento.

 

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