É possível viver off-line?

Especialistas afirmam que o uso excessivo de aparelhos eletrônicos pode causar danos psicológicos e físicos

Que os avanços tecnológicos são bons, isso todo mundo sabe. Basta vermos a quantidade de inovações alcançadas ao longo dos anos que tornaram a vida das pessoas ainda mais confortável, principalmente com o surgimento do computador e do aparelho celular. Afinal, quem um dia poderia imaginar ter conversas virtuais por meio de vídeos e aplicativos? Ou então chamar um táxi ou fazer um pedido em uma lanchonete sem ter que efetuar uma ligação? Nem mesmo a geração nascida na década de 1980 –  que viu o início de toda essa revolução digital – poderia vislumbrar que fôssemos chegar tão longe assim.

Facebook, Instagram, Snapchat, WhatsApp, Twitter e até os falecidos Orkut e MSN (que por muitos anos foram febre entre a juventude): o que não faltam são redes sociais e programas para se conectar e aproximar as pessoas. Mas será que de fato nós estamos ficando mais perto ou nos afastando cada vez mais? E o uso contínuo dos aparelhos eletrônicos? É capaz de trazer algum prejuízo para o corpo humano?  Em situações bem dosadas, não há riscos à saúde. Porém, quando a dependência já se torna evidente, é preciso ficar atento, ainda mais em relação às crianças, que podem ter o imaginário e a criatividade comprometidos, interferindo de maneira negativa no seu desenvolvimento.

“Vários estudos, tanto em nível nacional quanto internacional, mostram que esses jogos eletrônicos prejudicam os desenvolvimentos mental, psicológico e até mesmo fisiológico, conforme a quantidade de tempo que se gasta durante o dia com esses games, algo que pode se agravar bastante com o passar dos anos”, explica a psicóloga Kátia Joaneza.

Por conta de todos esses fatores, é extremamente necessário ficar atento ao tempo que os filhos dedicam aos aparelhos eletrônicos, para que não eles deixem de interagir com outras crianças.

“A internet, os jogos e as redes sociais podem fazer com que a vida real acabe se tornando secundária”, complementa a especialista.

E essa desconexão com o mundo é também observada em adultos. De acordo com um levantamento realizado pelo Google em 2012, 73% dos brasileiros que possuíam smartphones naquela época não saíam de casa sem levá-los. Um indício preocupante que em certos casos pode até alterar a rotina.

“O ponto crítico é quando o cenário começa a se tornar perturbador, ou seja, quando ocorre a mudança da rotina, fazendo com que os jovens não tenham rendimento na escola e contato com a família e com os amigos. Isso também ocorre com os adultos, que não conseguem mais se relacionar com as pessoas, se escondendo atrás de uma tela e deixando de vivenciar as experiências do cotidiano”, acrescenta a psicóloga.

 

E os problemas físicos?

Além de causar problemas psicológicos, o vício pelos eletrônicos também está levando os jovens a desenvolver lesão por esforço repetitivo (LER), doença que até então era mais comum entre os adultos. “As lesões são, em sua maioria, desencadeadas por uso excessivo, como no caso da LER. Outras muito comuns são tendinites, peritendinites, tenossinovites, sinovites, fascites, epicondilite e bursopatias. No ambiente residencial, os pais têm a obrigação de orientar e até mesmo controlar a frequência do uso desses recursos,

como computadores e smartphones, pois assim estão prevenindo a LER”, destaca o ortopedista

Dr. Luiz Augusto Campinhos.

O posicionamento da cabeça para frente durante o uso do PC, assim como a postura de ficar com o pescoço abaixado ao teclar no celular, pode gerar ainda um desvio de coluna ou então desgastar o disco que fica entre as vértebras, provocando uma hérnia com o passar dos anos. Já para os que têm o hábito de manusear esses equipamentos deitados sobre a cama, há o risco de dores nos braços e torcicolo.

Um meio de evitar essas complicações é a prática de atividade física, aponta o Dr. Paulo Henrique Paladini, também ortopedista. “A maior causa para que tudo isso aconteça é a falta de qualidade muscular. Se uma pessoa faz academia, pilates, natação ou qualquer outra atividade que fortaleça o músculo, as chances de ocorrer uma inflamação diminuem. O grande X da questão é a associação desses três elementos (mau uso, excesso e sedentarismo). Um bom começo para quem deseja se prevenir é o alongamento, tanto no começo quanto no término do uso do aparelho. Se não der para fazer, um intervalo a cada 50 minutos também pode auxiliar bastante, principalmente para as pessoas que trabalham oito, nove horas por dia, na frente de um computador”, afirma.

A falta de musculatura citada pelo médico foi um dos fatores que levaram a assistente comercial Ana Paula Martins, de 29 anos, a apresentar tendinite no pulso. “Sempre fiz muito uso do meu smartphone e do computador, até porque o trabalho exige que a gente tenha acesso constante a esses aparelhos. E por conta disso, eu cheguei a ter tendinite, que começou com umas pontadas de dor muito fortes no meu pulso direito. Precisei até engessar por um período de 15 dias. Hoje em dia me policio mais, além de buscar sempre me exercitar, seja correndo, seja andando de bicicleta”, comenta.

E mesmo que os equipamentos sejam muito tentadores devido à quantidade de recursos neles contidos, é preciso saber dosar sua utilização, até para aproveitar mais os momentos reais junto familiares e amigos. Chega de selfies, posts e curtidas. Que tal ficar off-line por um tempo? Seu corpo e sua mente agradecem.

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